Vida e Obra de Mary Ward

Para quem lê sobre os católicos na Inglaterra durante o reinado de Elizabeth I, a vida das mulheres parece difícil devido ao seu papel extremamente passivo.

Mary Ward era diferente. Como muitas outras, ela foi para o exterior para se tornar freira, embora não conseguisse esquecer das necessidades da Inglaterra. Naqueles dias elas viviam enclausuradas em seus conventos e na Inglaterra todos tinham sido fechados por ordem de Henrique VIII, muito antes do seu nascimento. Ela imaginava revolucionariamente que as mulheres podiam fazer votos sem viver atrás dos muros. Ela via os padres da Companhia de Jesus irem pelo mundo, fundar escolas, através das quais exercitavam uma missão efetiva na sociedade da época, faminta por conhecimento. E Mary Ward achava que o que os homens faziam, as mulheres também podiam fazer. 

Foi São Vicente de Paula que quebrou os preconceitos a respeito dos trabalhos que as mulheres consagradas podiam realizar no mundo, mas Mary Ward foi a pioneira.

Vestidas como mulheres da sua época, suas freiras abriram escolas na Inglaterra dos Stuarts, quando Católicos eram ainda proscritos. A própria Mary Ward morreu em 1645, durante a Guerra Civil, com a idade de 60 anos. Quarenta e dois anos mais tarde, em 1686, o famoso Bar Convent em York foi fundado, o primeiro convento na Inglaterra desde a Reforma. Desde então inúmeras garotas católicas têm sido educadas nas escolas da Congregação de Jesus, que se espalhou por todo o mundo. Muito embora Mary Ward trabalhasse para a educação de meninas, ela não foi uma feminista. Seu primeiro objetivo foi treinar futuras esposas e mães para espalharem a fé católica na Inglaterra.

A vida de Mary Ward foi passada em diferentes países, com diferentes línguas e situação política peculiar, e sua história e geografia diferem dos que são hoje. Tudo isso faz com que a sua história se distancie de nossa experiência. Por isso ao examinarmos o contexto de seu tempo, é admirável verificar que numa época tão conturbada, quando um país inteiro se submetia à vontade da rainha tivesse surgido uma mulher forte que nunca desanima e cujas forças cresciam a cada resistência, educada e muito inteligente, capaz de escrever e falar várias línguas, inclusive o latim, possuindo até conhecimentos de medicina. Foi ela que começou a educação para meninas de todas as classes, não importando quão pobres fossem as famílias.

Uma mulher que não perde a esperança, que rompe com os limites das idéias daquele tempo, possuindo uma claríssima visão de qual seria o caminho para ajudar o pequeno rebanho católico. Sabia que esta era a sua missão, ou seja, dar às mulheres os direitos que tanto desejavam e encaminhar o apostolado para as necessidades do momento.

Mary Ward foi a pioneira de todos aqueles que deveriam mudar o status das mulheres quanto ao trabalho apostólico na igreja, e hoje, mais de quatro mil religiosas a reconhecem como fundadora. Muitas congregações de mulheres reconhecem que devem muito a ela, inclusive sua liberdade de clausura.

O olhar de Mary Ward é o espelho de sua alma que exprime amor, aquele amor que há séculos pensava, amava e sofria por todos, alunos e alunas de todas as nações, de todas as gerações.

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